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| Ryan (Jorden Bennie), Mia (Chloë Sevigny) , Levi (Reece Noi), Leonie (Roma Christensen) e Riley (Karla Crome). |
É noite e o estacionamento está aparentemente deserto, à não ser por um homem e por alguém que esta à sua espreita. O homem - que eu julguei ser o guarda do local- percebe que há alguém o seguindo e corre, mas não chega muito longe, já que uma saraivada de tiros quase inaudíveis o atinge e ele morre por lá mesmo. O assassino encapuzado entra em seu carro e revela-se que o assassino na verdade é uma assassina. A clássica cena da matadora retocando seu batom no espelho retrovisor interno está lá, assim como a ausência de qualquer tipo de remorso no rosto da mulher. O carro sai e entra numa espécie de galpão vazio, onde a protagonista Mia troca a placa do carro e vai tomar banho depois de um dia fazendo aquilo que faz para ganhar a vida - tirar a dos outros. E os clichês acabam por aí.
Eu acho que de uns tempos pra cá eu fiquei chato pra caramba, porque quase nada tem me agradado. Vejo as outras pessoas da minha idade por aí assistindo séries cuja graça eu desconheço e julgo uma terrível perda de tempo. Pouco depois que criei o blog eu postei sobre uma série que tinha me agradado, mas é preciso que se diga que a única coisa sobre a dita cuja da qual eu me lembro é que eu parei de assistir no episódio 14 da primeira temporada.
De lá pra cá, eu tentei (juro que tentei) assistir séries que agradam as pessoas do meu ciclo de convivência. O problema é que musicais no colegial são brochantes, amores vampiros me dão náuseas, zumbis são mais entediantes que um show da Vanusa e casas mau assombradas não são legais se a Mistério S.A. não estiver lá pra resolver a situação. Aceitando o fato de que eu definitivamente não tenho o gosto comum de alguém de 16 anos, parei de procurar algum seriado que me agradasse e esperei que ele viesse até mim. E veio.
Da forma mais inesperada possível (prcurando uma série pra minha irmã e clicando no ícone errado) eu achei esse seriado sobre o qual vos falo.
Ryan era um homem frustrado, convencido desde pequeno de que era uma mulher no corpo errado. Com algumas transformações físicas e alguns hormônios ingeridos, Ryan transformou-se em Mia, uma assassina profissional que, segundo ela, não existe, e que presta serviços para Eddie, em troca de dinheiro -que é guardado nos lugares mais improváveis - para a cirurgia que vai transformá-la de vez naquilo em que ela sempre sonhou - e acreditou - ser.
Chloë Sevigny - até então desconhecida pra mim- dá a vida à protagonista da trama. E é uma das melhores atuações que eu já vi, sendo ela incrivelmente feminina mas com pequenos gestos e expressões que denunciam os cromossomos XY. Ao ser contatada por sua ex- namorada Wendy (quando ainda era Ryan) através de uma carta, Mia descobre ser pai de um garoto de 11 anos. Como se o baque de descobrir ser pai fosse insuficiente, ela ainda é informada de que ela tem a guarda dos filhos de Wendy caso ela venha à falecer- coisa que está cada vez mais próxima já que Wendy está com câncer em fase terminal.
De início, Mia ignora a carta mas alguma coisa a convence de que ela deve ir la. Chegando em uma casa na área rural, ela encontra uma das meninas mais lindas que eu já vi (sério, aquela boca de coelhinho te deixa vomitando arco íris), que diz que "sua mãe foi caminhar com Jesus". Atordoada, Mia bate na porta e se depara com um menino que parece ter roubado seus olhos. Contudo, Riley, filha de Wendy desde a época o relacionamento com Ryan/Mia, agora com 16 anos, aparece, despeja umas verdades e expulsa Mia da propriedade. Depois de algum custo, Mia consegue entrar na casa e descobre que possui a guarda dos quatro filhos de Wendy. Indesejada por Riley, despertando uma reação dúbia em Levi (outro filho de Wendy; ainda não consegui descobrir se ele é mais velho ou mais novo que Riley), e acompanhada com curiosidade por Ryan (seu filho) e Leonie (a menina-coelhinho), Mia finalmente consegue entrar na casa e começa a viver lá, dando início à sua vida dupla em que passa o tempo livre cuidando de seu filho e de seus enteados e matando homens por encomenda.
A coisa que mais me chamou a atenção na sinopse da série foi o fato de uma transexual assassina ter de tomar conta de uma família composta apenas de crianças. Não é o típico de um filme da sessão da tarde ou de uma série popular nas redes sociais- no twitter nao achei absolutamente nada sobre a série, só no facebook que achei uma página, de onde eu tirei as imagens do post- . Foi uma coisa nova que despertou meu interesse de uma maneira que eu só me lembro de ter sentido ao saber do filme de Precisamos Falar Sobre o Kevin (ainda escrevo sobre ele aqui). Outra coisa que me deixou aliviado foi o fato da série possuir apenas 6 episódios (não tenho paciência pra coisas quilométricas que duram trilhões de temporadas com trocentos episódios cada) , e mesmo depois de ter visto todos, ainda não sei se quero ou não uma segunda temporada.
A fotografia é de uma sutilidade incrível. A delicadeza - ou a falta dela- foi uma das coisas que mais me chamou a atenção enquanto via os episódios. Uma câmera posicionada num ângulo simples e despretensioso pode tanto transmitir a cena com uma incrível serenidade quanto de forma grosseira, grotesca, como numa das primeiras cenas da série.
Ainda que gire em torno de um tema que não costumamos ver no casos de família ou no fantástico - porém que não é impossível que aconteça- a realidade alí é onipresente, e isso fica explícito nas atuações, nas locações, nos personagens, em tudo. Até certo ponto da trama, existe um "vilão". Ele não possui poderes naturais nem é um anjo caído escondido por milênios nem nada do tipo: é um homem comum que pode infernizar a vida de alguém tanto quanto aquele que é a reencarnação do capeta. Mesmo depois de ter o "vilão" aniquilado, a presença do mal continua ali, causando uma sensação claustrofóbica em quem assiste, condizendo com a realidade, quando o mal é presente mas não tem forma física: ele simplesmente existe.
Outra que coisa que chama a atenção é o conflito dos personagens. Foram raras as vezes em que os conflitos internos foram tão explícitos em qualquer tipo de mídia de entretenimento (filmes, novelas, teatro, seriados), sendo o telespectador capaz de entrar na carne do personagem e sentir tudo que se passa ali, desde Mia, passando por Riley e Ryan -dois personagens interessantíssimos, o último ainda mais- até a pequena Leonie.
Sem subtramas ou coisas que desviem o foco principal da série (talvez até tenha uma, mas acaba se fundindo com a trama principal), Hit & Miss foi uma grande surpresa pra mim, tanto que resolvi passar minhas impressões aqui (coisa que eu não fazia à algum tempo), justamente por não ter com quem comentar, já que as pessoas da minha idade ainda comentam o par de chifres do Robert Pattinson.
A coisa que mais me chamou a atenção na sinopse da série foi o fato de uma transexual assassina ter de tomar conta de uma família composta apenas de crianças. Não é o típico de um filme da sessão da tarde ou de uma série popular nas redes sociais- no twitter nao achei absolutamente nada sobre a série, só no facebook que achei uma página, de onde eu tirei as imagens do post- . Foi uma coisa nova que despertou meu interesse de uma maneira que eu só me lembro de ter sentido ao saber do filme de Precisamos Falar Sobre o Kevin (ainda escrevo sobre ele aqui). Outra coisa que me deixou aliviado foi o fato da série possuir apenas 6 episódios (não tenho paciência pra coisas quilométricas que duram trilhões de temporadas com trocentos episódios cada) , e mesmo depois de ter visto todos, ainda não sei se quero ou não uma segunda temporada.
A fotografia é de uma sutilidade incrível. A delicadeza - ou a falta dela- foi uma das coisas que mais me chamou a atenção enquanto via os episódios. Uma câmera posicionada num ângulo simples e despretensioso pode tanto transmitir a cena com uma incrível serenidade quanto de forma grosseira, grotesca, como numa das primeiras cenas da série.
Ainda que gire em torno de um tema que não costumamos ver no casos de família ou no fantástico - porém que não é impossível que aconteça- a realidade alí é onipresente, e isso fica explícito nas atuações, nas locações, nos personagens, em tudo. Até certo ponto da trama, existe um "vilão". Ele não possui poderes naturais nem é um anjo caído escondido por milênios nem nada do tipo: é um homem comum que pode infernizar a vida de alguém tanto quanto aquele que é a reencarnação do capeta. Mesmo depois de ter o "vilão" aniquilado, a presença do mal continua ali, causando uma sensação claustrofóbica em quem assiste, condizendo com a realidade, quando o mal é presente mas não tem forma física: ele simplesmente existe.
Outra que coisa que chama a atenção é o conflito dos personagens. Foram raras as vezes em que os conflitos internos foram tão explícitos em qualquer tipo de mídia de entretenimento (filmes, novelas, teatro, seriados), sendo o telespectador capaz de entrar na carne do personagem e sentir tudo que se passa ali, desde Mia, passando por Riley e Ryan -dois personagens interessantíssimos, o último ainda mais- até a pequena Leonie.
Sem subtramas ou coisas que desviem o foco principal da série (talvez até tenha uma, mas acaba se fundindo com a trama principal), Hit & Miss foi uma grande surpresa pra mim, tanto que resolvi passar minhas impressões aqui (coisa que eu não fazia à algum tempo), justamente por não ter com quem comentar, já que as pessoas da minha idade ainda comentam o par de chifres do Robert Pattinson.


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